Dia Internacional da Mulher

 

Percides Mendes de Lima Mendonça

Percides Mendonça

            Era uma vez... uma jovem senhora que no ano de 1986, com 42 anos, morando em Maceió, sendo casada há 16 anos e tendo dois filhos com 11 e 8 anos, vivia normalmente assumindo além de suas funções de mãe e dona de casa,  a de funcionária pública. Tinha saúde e praticava atividades físicas.


Apareceu com um problema de hemorróida e, após consulta médica foi aconselhada a fazer cirurgia. Nesta, a médica ao constatar um tumor não realizou a cirurgia, apenas retirou um fragmento  para biópsia. Encaminhou-a a outro profissional que lhe aconselhou a fazer novos exames.


Assim, foi diagnosticado um câncer no reto com um tumor com 6 cm, demonstrando o estágio avançado da doença e na visão de alguns médicos quase impossibilidade de sucesso no tratamento.


De repente... num segundo, os sonhos ruíram, a vida mudou ! E, a
batalha foi iniciada,  alimentada sobretudo pelo desejo de criar os filhos. 


Após  consultas e indicações de tratamento em Maceió, sua família  unida e reunida, resolveu encaminhá-la para São Paulo onde os recursos médicos eram mais avançados. Foi um verdadeiro mutirão onde os familiares seus e do esposo, numa verdadeira solidariedade dividiam-se entre ajuda nas passagens áreas, alojamento em São Paulo como também nos cuidados dos filhos em Maceió.


Em 12 de julho de 1986  no Hospital AC Camargo em São Paulo, foi submetida a uma cirurgia e desde então passou definitivamente a condição de ostomizada. Sua permanência em São Paulo foi de mais de três meses porque após o mês de internação hospitalar ficou na cidade para fazer o tratamento de Radioterapia. Ao seu lado em São Paulo teve a fundamental presença do esposo, sobrinhos, amigos e equipe médica do hospital.


Foi um período de muito sofrimento tanto físico como psicológico   pela colostomia,    ausência prolongada dos filhos e os medos inerente a incerteza do sucesso do tratamento.....


Voltou para Maceió ainda necessitando fazer quimioterapia. Optou por Recife pela proximidade e facilidade de locomoção. Durante seis meses viajou para Recife e após internação hospitalar submetia-se ao sofrimento da quimioterapia...


É impossível hoje, com o avanço da medicina e da tecnologia, imaginar como era há 25 anos atrás o tamanho das bolsas coletoras e agressivo o tratamento da quimioterapia e radioterapia.


Ajudada pela fé em Deus e a força da família e dos amigos ultrapassou todas as dolorosas etapas de tratamento e as dificuldades de sua condição de ostomizada.


Em 1990, com a criação do Núcleo dos Ostomizados de Alagoas iniciou outra luta que dura até hoje. Participou deste núcleo que funcionava no Hospital dos Usineiros, e em maio de 1993 transformou-se na Associação dos Ostomizados de Alagoas fazendo parte de sua primeira diretoria.  Infelizmente no ano de 1996 o trabalho desenvolvido pelo Hospital dos Usineiros foi desativado e a associação desarticulada.


Somente em 1998, com a criação no Hospital Universitário do Grupo Multiprofissional de Assistência aos Ostomizado (GMAO)  houve a reorganização da Associação. Em 1999 foi eleita Presidente. Desde 2001 exerce a função de vice-presidente da ASSOAL.


Sua história de vida está intimamente ligada com a história da associação. E esta história tem sido também uma história de muita luta para garantir os direitos dos ostomizados , e de muito sofrimento quando constata a interrupção no fornecimento de bolsas coletoras,quando   mais uma vez  viu  o encerramento do trabalho, agora  no Hospital Universitário, em dezembro de 2003.


Felizmente neste período a Associação estava mais fortalecida não deixando haver interrupção no atendimento. Através de gestões junto ao poder público garantiu a continuidade do trabalho, em janeiro de 2003 no PAM/Salgadinho.


Seu compromisso com a ASSOAL é permanente, lutando para superar as dificuldades e garantir uma melhor qualidade de vida para os ostomizados.  É uma árdua batalha que enfrenta junto aos companheiros da diretoria para manter viva e forte a associação que reúne cerca de cento e trinta associados, acompanhando os avanços e recuos, as conquistas e as perdas, sempre em defesa dos direitos e busca da assistência integral ao  ostomizado.
Atualmente está no exercício da presidência da associação. E em julho deste ano completará 27 anos de ostomizada.


Seu perfil é de uma guerreira que no cotidiano de sua vida tenta ultrapassar os obstáculos tanto a nível pessoal como associativo, que enfrenta grandes dificuldades, mas obtém vitórias e conquistas. É uma vida marcada pela Superação...

           
Acompanhando a sua trajetória,  unidos, todos os seus familiares principalmente seus filhos e neta,  seus companheiros da ASSOAL e seus amigos  empenharam-se em fazer uma grande campanha para que  recebesse o premio instituído pela ABRASO em comemoração ao dia Internacional da Mulher.


Foi o justo reconhecimento e a força da união que lhe proporcionaram a vitória com 21.300 votos.


Por isso ela está muito feliz e agradecida.      

DADOS DE IDENTIFICAÇÃO:
Nome:  Percides Mendes de Lima Mendonça
Data do Nascimento: 18/09
Naturalidade: alagoana
Estado civil: casada     

Nome do esposo: Dorgival Taveiros Mendonça
Nº de filhos:  2 (Renata  e Daniel)
Netos: 1 neta (Marina)
Data da ostomia: 12 de julho de 1986.

 

 

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